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sentimento,
a emoção, a intimidade e a sensualidade integram a experiência de dançar
o tango; mas, embora sendo os mais referidos, são também os mais
difíceis de explicar e de ensinar. Existem várias citações e frases
célebres a serem esco-lhidas como lemas para promover o aumento da
qualidade do tango, mas como todas as frases feitas, transformam-se em
meros chavões no momento em que se tenta transformá-las em palavras de
ordem para um programa de aprendizagem.
Enrique
Santos Discépolo é autor de uma delas: O tango é um pensamento triste
que se pode dançar. Alguns anos mais tarde, um jornalista do
interior escreveu: O tango é a expressão vertical de um desejo
horizontal. Não há notícia de que, quer Discépolo, quer esse tal
jornalista, tenham alguma vez dançado tango. O primeiro preocupava-se
em expressar naquela frase a tristeza e a nostalgia, símbolos de uma
cultura popular suburbana que se perdia e descaracterizava, ameaçada e
invadida por valores de outras culturas dominantes. O segundo apostava
na curiosidade lúbrica das pessoas, servindo a frase como chamariz para
conduzi-las diretamente às bilheterias dos espetáculos de tango.
Infelizmente, algumas dessas
pessoas também foram parar nas pistas de dança...Parece
surpreendente a primeira vista, falar em tango brasileiro, pois a idéia
que a grande maioria das pessoas têm, inclusive os brasileiros, é de que
o tango só é coisa de argentinos e quando muito, de uruguaios. Mas, na
verdade o tango também nasceu aqui no Brasil na mesma época de sua
gênese na região rio-platense.Talvez isso explique o porque de muitos
brasileiros serem amantes do tango e apaixonados pela música e pela
dança que cada vez mais cresce em nosso País, repetindo aqui o mesmo
fenômeno que fez com que o tango argentino conquistasse boa parte do
mundo compreendido por vários paises da Europa, América e a Ásia.Na
época da formação do tango, tanto na região do Rio da Prata, Uruguai e
Argentina, e também aqui no Brasil, as influências que deram origem ao
“tango criollo”, mais tarde denominado "tango argentino", foram as
mesmas que deram origem ao tango brasileiro.As principais influências
européias vieram da mazurca (polonesa), da polca e da valsa (Boêmia),
da contradança (country dance – inglesa), do chótis (schottisch –
escocês), do tango andaluz (espanhol), entre outras e, as principais
influências africanas foram do “candombe”, para os uruguaios e
argentinos e o candomblé para nós brasileiros. Já as influências
latino-americanas, vieram das músicas campeiras, principalmente a
milonga que era cantada pelos “payadores” ( gauchos, seresteiros do
campo, gaúchos e sertanejos no Brasil). A habanera que era a música
executada em Havana, Cuba e que havia se tornado o gênero musical
“criollo” de Cuba, teve também grande influência na gênese do tango e
tinha a mesma linha melódica do lundu brasileiro.
Entre 1850 e 1995, o tango
se formava em sua gênese, sob essas influências, tanto na região rio-platense,
quanto aqui no Brasil e por volta de 1870, já existiam no Brasil
composições de tango que eram executadas basicamente, com os mesmos
instrumentos que se executavam os tangos "porteños" e uruguaios, isto é,
guitarra (violão), flauta transversa, pandeirinho, violino e piano.
Nessa época os instrumentos de percussão de origem africana, os
atabaques dos primeiros tangos originais, já não eram mais utilizados e
poucos anos mais adiante, também os pandeirinhos foram retirados do
tango.Diversos
tangos foram então, compostos no Brasil e na região rio-platense, até
que em 1895 em Buenos Aires, surgia a primeira composição de um tango
“criollo” para piano, segundo nos conta
Horacio Ferrer,
numa gravação histórica de seu CD, que é a trilha sonora de seu livro
“El Siglo de Oro del Tango” - Manrique Zago Ediciones, Buenos Aires –
1996. Ouvindo esse tango deparamos com a incrível semelhança musical com
os nossos chorinhos para piano de então, executados aqui no Brasil na
mesma ocasião, por Ernesto Nazaré,
Chiquinha Gonzaga
principalmente mas, também por outros maestros contemporâneos. Mais
tarde, Nazaré resolveu mudar várias de suas 93 partituras conhecidas, de
tango, para chorinho, atendendo aos interesses das gravadoras que
queriam direcionar
o tango brasileiro
para o chorinho e para o samba.Chiquinha
Gonzaga, nessa mesma época, compôs e executou diversos tangos, tangos–choros,
valsas, mazurcas, gavotas, polcas e habaneras, todos de composições
brasileiras, próprias e outros compositores.Mais recentemente tivemos
compositores de tangos brasileiros, tais como; Lina Pesce, David Nasser,
José Fernandes, Nelson Gonçalves e vários outros. Sem falar da região
sul do País, mais precisamente do Rio Grande do Sul, onde as influências
rio-platenses e gaúchas se fazem notar nas diversas composições de
milongas e tangos brasileiros.Isto
explica porque desde Francisco Canaro a Mariano Mores, grandes maestros
argentinos, assim como o grupo musical
Família Lima, no
Brasil, executam chorinhos com andamento de tango e vice-versa, com é o
caso do nosso Tico Tico no Fubá, um chorinho que é executado por
eles como tango e como chorinho, demonstrando as semelhanças originais.
Isso explica também porque os argentinos têm verdadeira admiração pelo
chorinho que qualificam como sendo uma “hermosura”.O
“tango criollo” argentino foi aos poucos se identificando com as raízes
porteñas e ganhando personalidade única, singular, descaracterizado-se
com o passar dos anos, das semelhanças originais com o chorinho,
principalmente a partir da introdução do bandoneon, como instrumento
musical principal e característico, que se identificou e que casou
definitiva e eternamente com o tango.Como
se verifica, esse é um tema bastante interessante e pode ser mais
aprofundado com a leitura do livro: "Tango
Uma Paixão Porteña no Brasil”,
especificamente no capítulo que trata sobre o tango brasileiro. O livro
pode ser adquirido através do site do Bar Temático de Tango, no Portal
do Tango Brasileiro,
Bardetango:, ou pelos e-mails:
bardetango@bardetango.com.br e
neyhomero@globo.com ou telefones: (+55
21) 2439 7536; 2439 8063 (tel/fax) e celular: 8151-8406 toda la musica
del brasil y el tango argentinos juntos
(Pesquisado na Internet – trad. RM) |